Monday, March 24, 2008



Irrascível como a revolução

Grito como jovem

Nesta sociedade de retalhos

De débeis e ofegantes músculos

Asfixiados no suor do trabalho!

Onde anda a irreverência

Escassa complacência

Para a vanguardista podridão

De silicone nas mamas

De dividas a tocar no chão?

Onde anda a luta

Amigo de copo na mão

Que só sabes dizer filho da puta

Pensar... isso não?

Onde anda a inovação

Originalidade comprada

Pela publicidade... televisão?

Onde anda a incorruptível pureza

Imberbe loucura

Sem egoísmo nem ambição?

Que verdade é esta

Em que o vazio arde

Como charros em depressão?

Que juventude de metal

Procuramos criar

Num árduo rock

De ícones de café...

Num rio in

Por onde já morto entra o rock?

Que portugal é este

Que liberdade é esta...

Senão alucinação?

Já não há expressão

Hoje tudo é opinião...

Criação? Perfeição?

Abençoada excepção!

Venham as causas

Para ressuscitar a multidão

Jovem... liberta-te da imitação

Utiliza a imaginação

E livre de manipulação

Compõe a tua nossa canção de Abril...

Sempre!


Homem que choras

Na angústia do que não fizeste

As tuas lágrimas molham

As insinuações que disseste


Sem perdão

Descalço renegas a solidão

E no berço da podridão

Chamas por quem te responde

Não!


Criaram-se as vozes
Os deuses...
Ouviram-se os gritos
De revolução
E eis que agora tudo se repete
Desejos antigos
Insatisfação plena!
Mas o tempo arrasta o som
E agora grito e não oiço
E não vejo...
Quem pela escrita
Possa tornar belo!
O delirante mover do tempo
Tudo filtra
Tudo apaga
Memória?
Verde fruto do instante!


No silêncio

Escutai

As gotas de chuva

E o céu

E o mar desta noite

Afásica

Como o murmúrio

Dos amantes

E nas colinas nos montes

Nas pedras no chão

Rola sem parar

E sente e grita e chora

Porque é música

O vazio que vês

A força que te impele

No augúrio da solidão

E foge e solta o belo

Que se esconde

Em toda a imensidão

Do mar do mundo

Da tua sede

Escutai

O grito que revolto

Se envolta na mente

De quem sonha

E voa e nasce

Para a vida

Com todo o teu ser

E grita e chora

Porque te esvais

Se a noite demora

Sente a beleza

Que há em si

Agora!



Thursday, March 20, 2008


Ancestralmente castrados

Vivemos cercados

Pelos muros desta cidade

De luz e sombra flamejante

Volúpia que enternece

Esta dor arguta lancinante


E no limbo desta noite clara

Escuto apenas o silêncio

Ausência descarnada

Sobre aço e pedras de suor

Que escoa na fuligem

De uma esquina qualquer


Assim vivemos sitiados

No mais despótico dos tempos!