Saturday, June 21, 2008



Oiço a música da minha infância,
Recordo! Os sonhos de aventuras,
As cores das histórias sem mortes,
Os maus vilões levados à razão,
Os bons amantes, felizes para sempre!

Como era bom entrar para aquele mundo,
Da real fantasia dos bonecos e das revistas,
Do meu tapete voando pelas noites dos sonhos,
Das chávenas, velas, espelhos... que falavam
Com um humanismo sem limites!

Onde estão as manhãs de sábado,
O leite quente com chocolate,
A inocência de um passado
Sem luta, competição...terror pela superação,
Só simplicidade e verdade, gosto em ser!

Será que a vida é um todo de prisão,
Cela sequiosa de paixão,
Ausência de nós... Ah! Como é difícil viver
Estes belos anos de cativeiro e penitência
Entre muros amarelos de um sistema ultrapassado!

Adolescência perdida em teoria
Sem tempo para escrever uma poesia...
Sem tempo para olhar o mar...
Sem tempo para correr nem gritar,
Sem tempo para amar...o próximo!

Não, não deixarei que acabes,
Que te cubras de novo pelo pó do esquecimento,
Que apagues a pureza que ainda resta em mim,
Porque tu és aquilo que não foi contaminado
Pelo vil mar da petulância e falsidade!

Oiço a música da minha infância,
Recordo! Os meus amigos de sempre,
O mundo que com toda a intensidade vivi,
As lágrimas que chorei pelo Dumbo...
Enfim, a ausência de toda e qualquer superficialidade!

Monday, June 16, 2008

Sunday, June 8, 2008



Pressinto no seu som nostálgico

A angústia do que ficou por dizer

E no estridor cruento metálico

O choro trémulo do seu tanger

E escuto…


O reverberar de notas perdidas

Que vibram ao luar

Canto de palavras sentidas

Reflexos do seu olhar


E sinto…

O arrepiar premente da melodia

Escoando pelo esconso do telhado

Dissipando-se no fulgor da maresia

Num beijo etéreo apaixonado


O fado ressoa em todas as esquinas

Desta cidade de noite e de mar

E no plangente murmúrio das colinas

Escuto uma guitarra a trinar


Pressinto no seu som nostálgico

A angústia da solidão

E no estridor cruento metálico

O grito revolto da sua condição!

Sunday, June 1, 2008



O teu som percorre-me como água
Enchendo esta sala vazia de som,
Preenchendo as brechas do ar que me circunda!

O teu piano expande-se no subtil passar das tuas mãos
E eu, aqui sentada, pairo no ar da reflexão, da paz e solidão,
Deixando-me levar por um nítido impressionismo
Suavemente pintado pela dinâmica colorida da tua música, Claude...

Fecho os olhos e da madrugada ao meio-dia vejo o mar dos jogos de ondas

Preparando-se para o aceso diálodo com o vento que me lava a face,
Ecoando a brilhante melodia das sereias que encantam ao luar... Debussy!