Thursday, October 30, 2008

Pedaços de Noz... Pedaços de Nós...




Eram palavras sinceras aquelas
Que escrevíamos
Imberbes juras de amor eterno
Sabíamos
Eram dois corações aqueles
Que gritavam
Frémito de um olhar verdadeiro
Sentíamos
Eram dois corpos aqueles
Que habitávamos
Nus contornos que se uniam
Descobríamos
Eram lábios aqueles
Que beijavam
Sonhos e projectos que se erguiam
Crescíamos
Éramos nós aqueles
Que corriam
Ao vento de um futuro incerto
Vencíamos
Éramos aqueles
Que livres se não vendiam

Lutando por ideais e causas justas

Agíamos
Éramos jovens aqueles
Que voavam
Com asas de condor de poesia
Vivíamos
Éramos nós aqueles

Que acreditavam

E que sem saber eram felizes
Sorríamos



PS: Pedaços de Noz consiste numa compilação de poemas, textos em prosa e ilustrações, anualmente publicada por um grupo de alunos e professores da Escola Secundária Stuart Carvalhais, na qual muito me orgulho de ter estudado. Alguns anos passados, redescobri pedaços de nós(z) que por lá passámos e daqueles que, como nós, um dia recordarão com saudade os momentos vividos. Fica o link.

Tuesday, October 28, 2008

Frio mas... com EsTiLO!



Sinceramente... Não percebo porque é que não me aceitaram no Elite Model Look!

Sunday, October 26, 2008



Dizes que não sei o que digo
E que penso o que não faço,
Que dos céus falta cumprir-se um castigo
Sobre este meu espírito de seda e de aço.

Dizes que não gosto de nada
E que minto quando sinto a dor de alguém,
Que em mim sucumbe a verdade
Sempre que digo o que não convém.

Dizes que compro as palavras
E que transcrevo as ideias dos outros,
Que nas minhas veias secas
Coagulam teorias gastas, versos roucos.

Dizes que não sou nada
E que julgo ser alguém,
Que tenho a felicidade contada,
Que o tempo não se detém.

Mas se digo o que penso
E sei o que faço,
É para que na falta de consenso
Se reacenda esse teu brilho baço.

Germina no confronto a revelação
E em si o descontentamento da verdade.
Maturidade sufragada pela razão
Extinta a flor da poesia em
puberdade.

Podes dizer que não sei o que digo
E que penso o que não faço,
Mas se discuto contigo
É porque me corrói esse cansaço.

Insurja-se o viver devassado pela descrença,
Reerga-se o teu sonho há muito resignado,
Calem-se os ecos de um passado sem pertença,
Façamos do presente um futuro partilhado!

Saturday, October 25, 2008



Da escrita faço um grito,
Como do silêncio um dia feito.
E peço, peço ao choro que cale esta angústia,
Estertor de tristeza que me consome, sonho desfeito.
Também a mim falta a luz de uma estrela,
Motivo por que corro e sofro, desaire mordente de não vê-la.

Do corpo faço alma,
Como do silêncio a dor sentida.
E no ímpeto revolto da incompreensão,
Desta impossível certeza onde extinta a razão,
Lanço conjuras irascíveis, palavras irreflectidas
Ecoando nos domínios da ilusão que nos embala e mente.

Friday, October 24, 2008

... pudesse



Toco o vento frio.
Sinto nele a força da madrugada,
A toada dos pássaros que acordam.
Escuto em si uma vida que se extingue
No espaço exíguo da clausura e do medo,
Sucumbindo aos desígnios de um agir obstinado.
Pudesse beber um pouco do seu cantar,
Expurgar os meus lábios herpéticos no mar
Sem que o tempo interpelasse esta enorme vontade de ser.
Pudesse ao menos gritar, exclamar,
Contestar a veleidade de um saber cárstico, circunstancial,
Dissoluto neste corpo de ninguém.

Monday, October 20, 2008

... Eva Cassidy

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Por vezes penso que nada me surpreenderá. Nem os gestos, nem as palavras, nem as imagens, nem os sons. Tudo se revela previsível e banal. Aquilo que foi já não o é, aquilo que valia já nada vale. Da insustentável clausura em que me encontro, germina em mim uma vontade enorme de luz. A cada página repisada pelo olhar, o ar torna-se cada vez mais rarefeito, já não consigo respirar. O meu corpo passa por um estado de agitação que nem a responsabilidade perene consegue controlar. Como preciso de me encontrar.
Felizmente que neste quotidiano despolido ainda encontro momentos perfeitos como este que aqui partilho. Eva Cassidy, uma voz serena, numa interpretação singular, lembrando-nos como da simplicidade se pode fazer algo verdadeiramente belo. Para descobrir, sem dúvida.


PS (pirataria saudável, justificável pela ruptura de stock nas fnac e companhia): basta clicar;)

Sunday, October 19, 2008

Over The Rainbow

Não encontro palavras que descrevam a sensação de plenitude dos fins de tarde de Outono.
Hoje, estava assim...

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Friday, October 17, 2008

Muitos Parabéns Ana

video

Ana, apesar do estudo, o dia de hoje não poderia passar despercebido. Ainda que preferíssemos ir aos Tibetanos, atendendo à conjuntura, as únicas verduras permitidas são as páginas do Harrison. Contudo, uma vez que és para nós uma pessoa especial, eu e a Joana decidimos fazer este vídeo caseiro... assinado (ou assassinado) por nós... como diz a Denise de Magalhães.

Desejamos que o dia de hoje seja fenomenal. O vídeo está meio estranho (espero que os Ornatos não levem a mal termos colocado uma música deles) mas o problema é do guião. Tínhamos pouco orçamento mas para o ano contratamos mais pessoal e é a Joana a cantar, fica a promessa!

Que tenhas um dia muito especial, porque tu mereces. Muitos beijinhos Isa e Joana;)

PS: tal como a Joana havia prenunciado, este vídeo está mesmo no YOUTUBE em http://www.youtube.com/watch?v=pRQBDZlRkBs

Thursday, October 9, 2008

Mahler



Há dias em que o cansaço limita a escrita, em que a escassez de tempo interdita qualquer ímpeto introspectivo, qualquer prelúdio de sensibilidade, qualquer indício de vida. Apenas o gesso e a pedra contam nesta contagem derradeira, neste embate prévio sobre o acaso. Haja coragem para enfrentar a vida.

A "terceira de Mahler" é para mim uma obra com um significado especial. A par da sua particular beleza, esta sinfonia é dotada de uma emotividade mútua, que ultrapassa os limites do sentir racional. O ressoar do arco, o vento doce-friccionado dos metais, a força timpânica da percussão, a voz. Tudo em nós vibra à sua passagem. De repente, a música ascende a um plano mutuamente físico e racional, trazendo consigo o doce tumulto da revelação.

Na senda da partilha e gosto pela descoberta, convido-vos a apagar todas as luzes, fechar os olhos, e escutar um pouco de Mahler. Tratam-se de duas ínfimas passagens entre as muitas e belíssimas integrantes desta obra, que "começa com a Natureza inanimada e se eleva até ao amor de Deus" (Mahler).


video
4º andamento - O que me conta o Homem (A noite)

O Man! Take heed!
What says the deep midnight?
"I slept, I slept—,
from a deep dream have I awoken:—
the world is deep,
and deeper than the day has thought.
Deep is its pain—,
joy—deeper still than heartache.
Pain says: Pass away!
But all joy
seeks eternity—,
—seeks deep, deep eternity!"

Friedrich Nietzche, Also Sprach Zaratustra - "Midnight Song"

*
video
6º andamento - O que me conta o Amor

Saturday, October 4, 2008

Se



Se pela escrita
Encontro a verdade
Não escrevo
E no fio último da verdade
A voz do mar
Logo minto
Pois que da mentira surge
O pérfido contentamento
De fingir que se é
Mesmo não sendo