Sunday, July 26, 2009

Poemas



Julho 2009


~

Foram e são tantos os poemas,
Tantos e tantas as palavras
Ressoando no clamor das horas,
Horas que da noite trazem o silêncio
E do dia, globoso e cheio, a solidão.

Escuto além, dali, revérberos de alma,
Ecos de gente apelando ao gesto despojado e livre,
Vocábulos diluindo-se na glabra vastidão do sentir,

Signos pontuando o que só o sonho [tornado poema] consente.

E amo, amo docemente tudo quanto sinta,
Tudo quanto em mim desperte o pensamento escrito,

Tudo quanto de mim [de nós] insurja a força e a esperança:
Amo o agir que das palavras se anima e em si renasce;

Amo os fundadores do vazio, os delatores do tempo gasto;

Amo a lúcida intransigência do criador,
A renúncia refulgente que ao génio se impõe;

Amo a verdade que do verso explana a vida;
Amo a vida que em verso destitui a saudade.

Fui e sou tanto dos poemas,
Tanto e tanta das palavras lidas
R
essoando no clamor das horas.

...



Foto retirada do site www.olhares.com

~

Triste daquele que ama
Com a vida toda,
E que desse amar faz vida,
E dessa vida um nada resignado.

Pobre de mim.

Thursday, July 9, 2009

Palavras ...



Sesimbra, Julho 2009

*

O que ao amar se reserva
É esperança
E do querer se eleva
É força.
É desejo ocultado
Pelo não saber,
Dúvida adstrita
A este modo de ser.

O que ao amor se destina
É sombra
E do querer se revolve
É saudade.
É vontade dissoluta
Num murmúrio a haver,
Palavra inaudita
Ensejando por viver.

Wednesday, July 8, 2009

Para escutar ... Uma Mulher na Cidade - Dulce Pontes


video
Dulce Pontes, Momentos
Letra: Ary dos Santos
Música: José Luís Tinoco

*

Agarro a madrugada
Como se fosse uma criança,
Uma roseira entrelaçada,
Uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
Que manhã cedo ensaia a dança
De quem, por força da vontade,
De trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
Que no meu Tejo acende o cio,
Vou por Lisboa, maré nua
Que desagua no Rossio.
Eu sou a mulher na cidade
Que manhã cedo acorda e canta,
E por amar a liberdade,
Com a cidade se levanta.Vou pela estrada deslumbrada
Da lua cheia de Lisboa
Até que a lua apaixonada
Cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
Todo o mau tempo no mar alto.
Eu sou a mulher que transporta
A maré povo em sobressalto!
E quando agarro a madrugada,
Colho a manhã como uma flor
À beira mágoa desfolhada,
Um malmequer azul na cor,
O malmequer da liberdade
Que bem me quer como ninguém,
O malmequer desta cidade
Que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
Abriu a flor de Abril também,
A flor sem medo perfumada
Com o aroma que o mar tem,
Flor de Lisboa bem amada
Que mal me quis, que me quer bem.