Saturday, October 30, 2010

~


"Os perseguidos"
Pedro Anjos Teixeira
Sintra 2010

~

em sentido

ou sem sentido
algum
que nos valha
quando a verdade
nos toma de perfil
e desfaz a sombra
de um sonho
que era amor

~


foto retirada de www.olhares.com (link de autor)

~

no princípio

de tudo
quanto
sabemos
era a luz
cadente
da manhã
e o frio
verde
dos homens
vergando
a pedra
desnuda
do sentir

no princípio
de tudo
quando
másculo
era o corpo
desbridante
da vida
e o existir
não mais
que luta
predatória
e fogo novo

no princípio
de tudo
era o desejo
motivo este
que nos consome
e extingue

-

glabro
é o reflexo

da noite

pesante
sobre o rio

:

tácitos

vão os sonhos
que eram nossos

Wednesday, October 27, 2010

circunflexo


foto retirada de www.olhares.com (link de autor)

~

jacente

és tu
corpo
cálido
de incertezas
e sonhos
adiados

tu que corres
no desespero
da causa
e tropeças
na loucura
do sentir

corpo nulo
de sentido
autómato
da vontade
e do amor
ausente

corpo
meu

Saturday, October 23, 2010

?


foto retirada de www.olhares.com (link de autor)

~

desfeita
a casca de ovo
da clausura

revelado o chão

de onde nos grita
a miséria imaginada

ali o dorso inominado
vergado ao fundo-saco
que é sem nada
além da sombra
mendicante do amor

por que rua
por que rosto-cidade
a claridade perfeita da manhã

Sunday, October 10, 2010

~

Lisboa
2010


~

sob o céu
descarrilado
de Lisboa
e o odor felino
e a chuva
e o silêncio
escasso

um lastro
de ausência
toando
triste
ao porão
cavo
que é
em mim

pudesse
lavrar
num beijo
esse sofrer

e tocar-te
no rosto

e arrancar
de ti
as palavras
que são
escondidas

pudesse
tornar reais
os sonhos
que o amor
calou

e revelar-te
a verdade
deste sorrir
filial

pudesse
sentir-te
feliz

Friday, October 8, 2010

~

foto retirada de www.olhares.com (link autor)

~

quis o acaso que chovesse
e que o teu corpo
regressasse ao limite amplo
da vida
que é partir sem onde

daqui o mundo imundo
de onde partem os navios
e neles a tua imagem pura
de menino
sorrindo de esperança

quis o acaso que chovesse
e que o vento te embalasse frio
já sem cor
no leito comburente do destino
que não entendo

daqui o mundo imundo
de onde parte o teu olhar
envergonhado
lesto pela dor
que é de quem amas

quis o acaso que chovesse
e que o mar te reencontrasse vivo
ultimadas incertezas
e o cansaço bélico de viver
sempre em fim


daqui o mundo imundo
de onde te revejo
e ao brilho pélago de ti
que é amor e verdade
restando em nós

(...)