Saturday, November 20, 2010

~

foto retirada de www.olhares.com (link autor)

~

frágil

o silêncio
das conchas
quentes
e o crepitar
distante
de um verão

ausente

frágil
a brisa
boreal
e o mar
que é noite
e espelho
do que somos

nada

frágil
a força
máscula
de estar
sendo
a esmo
incerto

em solidão

frágil
a vida
que se não
vive
e o corpo
inerte
que sofre

em desrazão

frágeis
vão

as ondas

do mar

~

foto de Carlos Froufe (link de autor)

~

indelével

o ar que
respiramos
e a pequenez
tamanha
das coisas
que fazemos

sentir
avesso
ao verbo
que dizemos

por dizer

vida
consumindo-se
em verdades
estéreis
de sentido

a tua voz
sonho meu

e o brilho-olhar
de outrora
exaustando
em solidão

indelével

viver

à margem
da vida
que nos escorre

pelos interstícios
do tempo

querer
e não sorrir
e ter
e não fruir
do amor
maior

que nasce findo

indelével
limite

imposto
à passagem
pelo mundo
egoísta
que nos prende

indelével
partir

sem dizer onde
nem porquê

morte
que se sabe
e quer
mas surpreende

indelével
sendo
que é ser

existir
que não existe

indelével
nós

Friday, November 12, 2010

~


Tróia há 15 minutos

~

escuro
é o rio
onde
não estou

e o ar salino e imóvel
suspenso

da memória

que é longe

milenar da faina extinta
que é néon-
- bergantim de plástico
e sufoco colossal
que se não sente

mas pesa

~

rente
é o Sado

e a verdade

De Tróia



Camané /Amélia Muge/ Ali, à janela