Saturday, February 26, 2011

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foto retirada de www.olhares.com (link)





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ali é o sol

aclarando

os montes

e as gaivotas

que no céu

despertam vida

e cantam o som

mastro do vento

que é esperança

e força transpondo

todas as manhãs



recordo(-te)

ao entardecer

quente de memórias

e esboços de outrora

quando lépida

a noite cintilante

e boreal o calor

do teu sorriso



resisto(-te)

à tua ausência



oculto ao sentir

as palavras

que foram tuas

e os gestos

e o olhar distante

que não são teus

mas que foram de ti



procuro(-te)

em tudo quanto

não fosse verdade

motivo ou desengano

que explicassem

a repulsa

com que a custo

me (não) toleras



talvez a falha

seja em mim

no meu modo

desajeitado de ser

na voz imberbe

que se não cala

no corpo vivo

que corre
e se não cansa

no amor furtivo

que te não revelo

senão pelo gesto

e pela verdade

que não entendes



-



sofri

por não saber

quem és

mas hoje
é azul
o dia claro
que renasce

Monday, February 21, 2011

epílogo



uma pausa pela dúvida

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talvez um dia regresse
quando o sol voltar a brilhar
e o mar retome o s[m]eu sentido

-

até sempre

isabel

.

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Toute Une Vie
Claude Lelouche

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Et maintenant, que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie

Toutes ces nuits, pourquoi, pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce cœur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort

Et maintenant, que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit

Vous mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent

Et maintenant, que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin, je te haïrai

Et puis un soir, dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu

Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien

-

Gilbert Becaud

Sunday, February 13, 2011

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Verdes Anos - Carlos Paredes
Fotografias de Lisboa: Carlos Froufe (link)

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Dedico este vídeo ao Blogue Encosta do Mar (link), por toda a poesia que por lá se encontra e por quem tão verdadeiramente a publica.

Obrigada Ana e parabéns pelos seis anos de palavras e magia.


PS: Muito além do músico e compositor de qualidade, Carlos Paredes foi e sempre será uma Homem de qualidades pessoais singulares, cuja vida e obra representam a essência da poesia. E tratando-se da Encosta do Mar, penso ser uma escolha à altura. [Perdoem-me apenas quaisquer falhas ou lapsos musicais].

Verdes Anos

Fotografia de Carlos Froufe (link)


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entardece
o meu rosto
e quase nada
é de sorrir
ou de alento
despertando
para a vida

esmorece em si
o silêncio da chuva
e é quente
e triste
o calor desta casa
sem nome
em que sou

espaço exíguo
de tudo
quanto não vive
e não vê
e não sente

espaço
denso
sem árvores
nem vento
nem mar
adentro

vidro espesso
por que espreito
a vida
e o reflexo
da solidão
que só a música
a tua música
desfaz

Carlos
Paredes

Thursday, February 10, 2011

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para a Andreia Capela

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reconstruir a verdade

quando dos olhares
que nos sorriem frios
apenas o materialismo
e o gesto assoberbado
de quem não ama
senão
ao mais íntimo afazer
da sua condição plena
e meritória de ser nada

reconhecer no vazio
dos dias que se ultrapassam
um gesto de sinceridade
quando tudo são
adversidades e lutas
e desequilíbrios constantes
por coisa alguma
que não seja vida

ou uma mão desinteressada
e despretensiosa
vogando sobre alguém que sofre
e
também sente
na solidão que é espera e nó
e precipício (in)esclarecido
e escutar nesse vazio
voz ou palavra de esperança
aplacando incertezas e dúvidas
que se sabem certas
a esmo incerto

sem contrapartida
nem vanglória
alguma
justificadas pelo bem


sentir a tua presença
incondicional

nos momentos onde apenas cabe
a verdadeira amizade
mesmo quando o tempo é escasso
e ampla a distância a que nos deporta
e saber que tudo isto é em ti
e que por tudo isto
e por pessoas como tu
tem o mundo
ainda algum significado


assim escrevo

- parabéns -

pela
médica
amiga
e pessoa
que és

Sunday, February 6, 2011

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retirado de www.olhares.com (link)

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aqui me sento
de horas feita
ao dever
que se impõe
e imolo a palavra
insurgente do silêncio
que é o meu corpo
frio em tua ausência

há um livro
de papel
sobre a mesa
de madeira
ainda
e um lápis
de grafite
que resiste
esborratando
página a página
o saber que se exige
e que eu não sei

há a tua ausência
dissera eu já
e o sentir
infinito

e a infinita
impossibilidade
de revelar-te
por meio algum
ou forma cordata
que o não magoasse
nem desfizesse
o quanto é de ti aqui

mas nada posso
e nada possuo
além de mim
por dentro
e do pensamento
que é imagem
e voz
a tua voz
falando-me distante
talvez do imo de nós
daquilo a que alguns
chamaram de alma
seja brisa
noite clara
calma amor

talvez esta seja
a condição maior
do desespero
e o motivo obsessivo
de pensar-te
a cada medida
a cada descoberta
que faço e passo
porque é ninguém
neste espaço
que entenda o carpir
da chuva seca
ou as simples cores
das árvores sem nome

talvez um dia
quando fosse
por completo alguém
e não apenas coisa
ou ideia rasurada
talvez pudesse entregar-te
as minhas mãos
que são boca e tinta e voz
e não mais escrever-te
na distância complexa
do concreto
e então beijar-te
com palavras sãs

por isso corro
de costas voltadas
ao tempo
dos discursos
estéreis
sem sentido

nem sal
nem vento

e ergo a fronte
ao cansaço
e o meu olhar
ao teu sorriso
por vezes triste
ou inconstante
mas sempre verdade
sempre manhã

Thursday, February 3, 2011

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retirado de www.olhares.com (link)

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que dizer-te

do fim
quando a dor
insofrida
que é ali
extensa
não mais significa
o elo pela vida

que dizer-te
do corpo
jogado ao leito
da espera
quando a luz
que o iluminara
é gasta

e do olhar
vertente
em sucumbição
e desejo
de não mais
pertencer
a este querer
que a nós
consome
e é nosso


que dizer-te
da alma
que partiu
quando
já sem amor
ou silêncio
algum
que a escutasse

e de nossas
mãos
imberbes
lutando
injustificadas
pelo corpo
quando viver
por ninguém
é sem sentido

que dizer-te

que fazer
desta verdade