Wednesday, February 29, 2012

Saturday, February 18, 2012

~

amar o teu sorriso
e o teu sonho
que é o meu sorrir
também

amar a verdade
que é em ti
olhar-te
beijar-te

as palavras
e reuni-las
em sabores
frescos
como o mar
retumbante
de poesia

porque
a solidão
disse-te eu já
um dia
é o que se não
cumpre
nos limites
do que somos
e sentimos
e aceitamos
como válido

amar o teu sorriso
é amar-nos
no sentido último
da acção
do querer bem
que partilhamos
reencontrar-te
na extensão
dos nossos dedos
da nossa pele friável
sentir a música
que é nossa só
no instante
que nos some


onde de ti


~





foto retirada de olhares.com (link de autor)

Jardins da Gulbenkian

Sunday, February 12, 2012

... luiza (tom jobim e edu lobo)



~



~

Lua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza


... não será a vida um grande circo místico




Saturday, February 4, 2012

... prelúdio



~


~

não te encontro

nos passos
inextintos
da memória

aonde estás

além-mundo
este
além
impossibilidade

esta
de sermos
em uníssono
com o bem
que nos ensinaram
de tão pequenos
e a nós
tão cedo
retiraram

é difícil viver
a quatro patas
é difícil sorrir
com o bafo
sufocante
que nos ergue

é difícil caminhar
sobre as pedras
do dever
quando o caminho
é tortuoso
e ágil
no engano

não nos resta
absolutamente
nada
além do amor
este
que impossível

nos consome
à distância
de nós

porque
acredita

é proibido
amar
é proibido
não querer
é proibido
não correr
senão
pelo
inventário
material
e inerte
pelo
saber-agir
em conformidade
com o que nos não quer
e não queremos

não te encontro
não me encontro

senão
no olhar
amargurado
da manhã
que se esconde
sobre os prédios
doentios
sobre o olhar
demente
de quem chora
sem razão
sobre a música
sobre a poesia
que é feita
pedra
e pesar
escorchante
que se não vê
mas sente
no alheamento
de quem passa

não te encontro
senão na memória
do que não existe

(…)