Sunday, August 19, 2012

~


de plástico
Barcelona 2012

~

perdida
no desconhecimento
da vida
sem saber histórico
por que entender
o sentido 
das coisas
sinto o peso 
do mundo
e um querer
antigo 
que me falha

:

talvez seja amor
o irresoluto
a haver

.

o mar é griso 
aqui 
as estrelas
distam
no céu 
apagado
distante
há o ruído
os sorrisos
os abraços
indiferentes
a liberdade
libertina
dos corpos
derretidos
o fausto 
a grandiosidade
escorchante
a ilusão próspera
de estar bem 
e ser maior
a força sôfrega
do hábito 
de estar só
o ânimo ingénuo
dos dias que passam 
ao delével

.

duvido agora
da saudade
da prodigalidade
das minhas
intenções
da ética
ligeira
anérgica
que pratico
do agir
inconsequente
da verdade
da sinceridade
que soía ser 
primeira

,

não sei já 
quem fui
esqueci-me
em sonidos
e verbos vagos

,

reconheço agora
o exagero 
o despropósito
por onde ruía 
a dúvida
que era (é) em mim

,

mareio no silêncio
emprestado
da solidão 
que impõe 
o pensar-me
adentro

,

perco-me
na contradição
da vida
que ressurge
pontuada 
de interrogações
e imperativos
débeis

,

visto-me
da roupa
que não tenho 
do redil
inventado 
ao poente
vespertino
da brisa restante

.

caminho
caminho
até não mais poder

Saturday, August 18, 2012

~



pedralbes


2012


~

que fazer 
da vida
que em ti 
extingue

do mistério
que é viver
a contratempo

da certeza
consciente
e fria
de partir
a esmo  
e sem vontade

.

que fazer
desse sonho
indefinido 
e vago
das palavras
caladas
que me dizes
rente ao peito
amplo
pulsátil
que é vontade
e esperança
ingénuas

:

frase 
única
e
possível
de
momento 

.

que fazer
do brilho-olhar
séctil
por que 
escondes
a tristeza
fraccionada

.

que dizer
que pensar
do mundo 
que a nós foge
no minuto 
último 
do teu sorriso

(...)