Sunday, September 30, 2012

Sunday, September 23, 2012

~


manhã 
de domingo
ar antigo
que é longe
talvez na infância
olhar largo
ao vento-horizonte
azul
verso vivo 
de outrora
quando em mim
havia esperança
e saber claro 
por que seguir
e a espera
infindável espera
era feliz

.

mas hoje
manhã triste
é o ar antigo 
apenas
e comigo 
aquele sonho 
disforme
aquele sonido
longe 
de vozes vagas
cantando vida
aquele abraço
de verdade
e o sentir cálido
das gentes
que sonhavam
também
na simplicidade 
de si

.

hoje
domingo 
és manhã
ruidosa
ímpia e escura
silêncio-solidão
que me consome
amor 
que me falha
e esquece
motivo a mais
que recuso
além da vontade
primeira
e única
ausente
em mim

(...)

Saturday, September 22, 2012

~



foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

quando a casa
que habitámos
como nossa
a nós surge
como estranha
e o amor
que soía ser real
se transforma
em lembrança 
estranha a nós
e aos que nela
habitam calados
e o respirar nosso
e tudo em nós
é indevido  

.

quando a verdade
pesa
e a nós foge
e o espanto
de ser já noite
porque noite
apenas
surge inadvertido

.

quando o coração 
não sabe já
aonde ficar

(...)

Tuesday, September 18, 2012

~



fazes-me falta
tu
que não sei
que és
quem és
força bruta
do abraço
intérmino
fôlego restante
do meu corpo
que em ti
e por ti
sente
e quer
e deseja
força bruta
do que não há
no silêncio-brado
em que és
tu
quando te não
penso
e sinto apenas
da tua presença
ausente
que é amor
e música
e verdade
inacessível

(…)

~


tardou 
o tempo 
de resposta
e eu 
que esperei
tardei

com o tempo
na inquietude
e interrogação
do que sinto


:

não entendo
não compreendo
este motivo
a mais
além de mim
este querer
esta força

obstinada
que é desejo 
constante 
de partir
sem onde-alguém
em espera

.

a verdade dói

(...)

Sunday, September 16, 2012

~


sem caminho 
por que seguir
que não seja dúvida
e saudade
e saber-nostálgico 
daquilo que não tive 
nunca

de ti 
que não existes
além de mim 
que me excluo 
toda

da verdade
que ao ser 
se extingue
em esperanças
 débeis

.

não sei o que fazer
por onde a vida
me não quer


no sorriso
aberto e largo 
que me resta

(...)

Monday, September 10, 2012

~






alguém ?
Barcelona 2012

~


o problema
sou eu
e a quem
procuro
e me não
responde
e à brisa primeira
e ao reencontro
são dos nossos
versos
e à música
que foi momento
íntimo
primeiro
e às cores
da tarde
junto ao Cais
e ao sabor
do chocolate
amargo
que a chuva
a presença de ti
adoçavam
em sorrisos
frágeis

o problema
sou eu
e a memória
de tudo isto
quando em noites
claras
percorro
a tua ausência
e o amor
restante
ao som
retardo
da manhã

o problema
sou eu
e a invenção
engenhosa
que foi verdade
e espera
e anseio
imaginário 





foto retirada de www.olhares.com (link de autor)

~

o motivo maior
do sofrimento
das causas
por que nos consumimos
da dor que trazemos
seja maior o sofrer
por mais que a luz do dia pese
ou o corpo cansado se arraste
manhã após noite de insónia
o motivo maior 
é este querer inconsciente
este silêncio persistente e surdo
de viver em desrazão
por coisa alguma
que não mais existisse
 além de nós

.

o motivo maior
do sofrimento
é ignorarmos 
a evidência clara e simples 
do amor póstumo 
ao verão-esplendor de nós
e disso fazermos vida




foto retirada de www.olhares.com (link de autor)

~

esperei por ti
ao minuto último
por que se pode esperar
pensei-te
escutei-te
aonde ninguém
além-sonho meu
de escutar-te
e tu não vieste
e ignoraste-me
no gesto simples
de saber de mim
o que sinto

esperei-te ao vento-mar
das horas vazias de sentido
do amor incondicional
que foi antes de nós
antes do reencontro
dos nossos corpos
que se não podem abraçar
à luz clara da tarde

esperei-te sem fim
e ao teu murmúrio escasso
mas de oiro
e ao beijo primeiro que me deste
porque te pedi
e à palavra que escondes
e me não dizes por motivo
que não entendo
e à amizade que me negas
e a todas as coisas em que me falhas

porque antes de mim existes tu 

(?)



~

abre-se uma porta
não é além dela
o teu olhar terno
doce e triste
 silêncio
que torna 
a cada instante

és ali
naquele recanto
naquele ruído
que são as tuas patas imóveis 
no instante em que te não vi partir

penso-te
pressinto-te ao entrar
ao entrares por mim adentro
ao cheirares as minhas patas
e roeres os meus dedos
transpondo-me toda
na tua significância

amo-te tanto

(...)