Saturday, October 27, 2012

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 foto retirada de www.olhares.com (link)

 ~

há que resistir
ao peso
de não ser
à fatalidade
de nascer
com tudo
e nada ter

há que resistir
à dor
volante
e ao riso
crasso
que sorrimos
na ilusão
do dia 
lasso

há que resistir
ao visco espesso
da boa vontade
e das intenções
que são sempre
boas
e inquestionáveis
porque nossas
e por nós

há que resistir
ao saber
e sentir
que nada existe
e disso
fazer vida
e dizer que é vida
o desferir
de vontades
transitórias
que nos seduzem
inconstantes 

há que resistir
ao sonho
que é de todos
igual
e ao abraço
que nele não cabe
e ao amor 
morrente  
que nos falha

há que resistir
à solidão
e às cidades
de pedra
vencer ao sono
interditado
quando 
pela noite
por fim silente
procuramos
o lado humano
de nós
e é só vazio
e palavras rotas
[feitas à medida
de não sei bem
o quê]

há que resistir
à vida
que se sabe
términa
ao desfalecer
daqueloutro ali
que por não ser 
nosso 
se afigura
natural 
e justo 

há que resistir
à cara
limpa e perfumada
que contemplamos
e aceitamos
manhã ante manhã
sem cor 

há que resistir
a tudo isto
lavar as mãos
e ir para a mesa
comer 

Wednesday, October 24, 2012

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foto retirada de www.olhares.com (link)

~

mais perto
estivesse eu
das causas
justas
do outrora
nosso
amanhã 
perfeito

mais perto
estivesse eu
do instante-ausência
quando desconhecidos
desprotegidos quase
em silêncios
e gestos excedentários
a nós
não contestávamos
a distância
do mar 
azul e claro
que sonhámos

mais perto
estivesse eu
das palavras
que negámos
da arrogância
de querer estar longe
sem motivo a mais
além de quatro paredes
de pedra
impiedosa e fria
que eram futuro
e vida
e abraço
que se exigia
livre

mais perto
estivesse eu
do verbo
e o tempo
fosse mais
do que este
vazio desconexo
por que intentamos
ser felizes

mais perto
estivesse eu
do amor
[ou pelo menos
da sua evidência]
 

Friday, October 19, 2012

Wednesday, October 17, 2012

~


~

saciada
da tu’ alma
triste
do gesto
indeciso
de ti
da palavra
coberta
de neve
e sol
que me
não dizes
da inquietude
nua
das tuas mãos
dos teus dedos
curtos
quasi ausentes
do silêncio
teu
que me dói
e pesa
do dia 
gasto
antes
de ser
manhã

(…)

Thursday, October 4, 2012

~



~



~

estar só
e o silêncio
de alguém
que me não escuta
vontade
que por mim
não sente
ninguém
saudade
do que não sei
e me não reponde
anseio
pelo que não tenho
mas espero
amor
que se não gasta
em desespero
e cresce
cresce
com a noite
cadente
sobre a noite



sobre o sono
claro
que tarda
na inutilidade
clara
que sou

(...)