Saturday, November 17, 2012

Friday, November 16, 2012

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~
.
belisco-te
lugar quieto
procuro na solidão
alguma coisa
que a desfaça
e ao vazio
que é o som
escasso
de gente
saindo e entrando
procuro o tempo
que parece
não querer ficar
para jantar

tardo sem ele
sem nada
que me peça algo
antes de mim
da utilidade
práctica do fazer
do dar-me constante
que não recuso
e inquestiono

pudesse eu explicar-te
dizer-te esta tristeza
imensa
que é sentir
que me não conheces
que me destratas
no lugar mais frágil
de mim
aonde a possibilidade
da vida
é não mais
que o limiar
do absurdo

pudesse eu esquecer-me
do amor restante
dos princípios
que eram fortes
quando acreditava
ainda
nas cores das árvores
sem nome
e era música
o som desfalecente
das casas recolhidas

só
é o meu lugar
no mundo
a minha inutilidade
a avolição-hipnagoge
ridícula
obstinada
e sem sentido
que é viver longe
da verdade
morrer-me
sem dar conta
e sorrir
ao céu fechado
manhã 
antemanhã
sem ti

(...)

Tuesday, November 13, 2012

~



~

despertasses em mim
paixão imensa
ao largo do dia claro
de Novembro
intrínsec’ ao azul
do céu
e ao canto livre
e pelejante
das gaivotas
sonhando um sonho
que foi já meu

despertasses em mim
força obstinada
o desejo compulsivo
de querer
o que não posso
e ser
o que não consigo
e ter
o que não tenho

despertasses-me
um sentido
por que seguir
e em mim
palavra primeira
que não fosse amor

.

pudesse eu ser breve
no que sinto
assertiva na verdade
que recuso

pudesse eu ser-me
sem mim

Monday, November 5, 2012

~



foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

é o amor
que arranca
da vida
a morte
ao limiar
último
da força
restante
do teu corpo
infixo
de palavras
e sonhos
infinitos

.

foi o amor


(…)