Sunday, February 24, 2013

~


foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

é noite aqui
e a neve
junta-me
aos bocados
restantes
do sonho
inconsumado

longe

daqui
deste espaço
sem mar
nem céu
além-gelo

nem estrelas
nem luar
que o trespasse

escuto-te

-

guitarra
plangente
que tocas
adentro
e só
pelas horas
desprovidas
de esperança

.

trazes-me
a pedra
quente
as sombras
dos átrios
por onde
vagueio
sem hora
nem estar

invocas-me
os passos
dolentes
de nós
esculpidos
em saberes
e desejos
devolutos

e as vozes
uníssonas
que cantam
à surdina
o amor
primeiro
saudade
vaga
de um tempo
findo
sem lugar
nos lugares
comuns
e transigentes
de nós

.

porque
a vontade
a emancipação
do pensar
a concretização
do ser
que nos
fervilha

essas

tiraram-nas
aos dias
e às cores

que não
escolhemos

.

toca 
guitarra

alma
portuguesa
toda
que trazes
em ti

tristeza
doce
e escura
dos trajes
(im)ponentes
das capas
negras
cruzadas
ao vento
plácido
da serenata
fria

.

geme
guitarra

a dor
que é
saber antes
a verdade
e lutar
em consciência
e sem vontade
pela causa
já vencida

.

geme 
guitarra

a clausura
do amar
breve
e sem depois

a solidão
sem lar

a resposta
que se cala
de olhar
baixo

a palavra
adiada
que o orgulho
não consente

.

chora
o espaço
que nos
não
pertence
porque
somos
a mais
sempre

.

mostra-me
guitarra

longe

um caminho
por que
seguir

se ele
existe

.

leva-me
na distância
de ti
e a esta
mágoa
que é saudade
recusada

(…)

... prelúdio (ao verbo)

... prelúdio (a uma serenata)

Saturday, February 23, 2013

Sunday, February 17, 2013

... música

~


sem saída
para o coração
que em mim
não pára
a saudade
ouvinte atento
da tua voz
silente
de outros tempos
quando nos
não sabíamos

falta-me
vazão
para o dia
é a noite
por aqui
mais fria
de gente
que se não
alcança
além 
da estupidez
do verbo
embrutecido

simples
seria 
esquecer-te
dizer-te
adeus
sair
simplesmente
como quiseste
ao sol poente
daqueloutra 
tarde
por onde
nos cruzámos
de olhar 
cadente
e ignóbil

simples
seria
intransportar
este sentir
dolente
que é
memória
de ti
quando me
não recusavas
estéril
de preconceitos
absurdos

:

é porque
o amor
não escolhe
as verdades
que em nós
vêm
nem o rótulo
matinal
que colamos
para a 
desfaçatez
da vida
que se exige
uniformemente
esbelta
e inquestionável

,

porque
amar
não é vontade
que se decida
no segundo
da utilidade
de nós
nem palavra
que se apague
do bloco
maciço
do sentir-te
por abraçar

.

por isso 
sofro
sem rumo
por que seguir
além do 
sorriso
que me recusas

.

saudade houvesse
em que 
não fosses


... interlúdio ao silêncio


Sunday, February 10, 2013

~



foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

não há estratégia
alguma
que justifique 
o silêncio

os factos são estes
embrutecimento
impaciência
insatisfação
pelo que se quer
e não tem
e tendo
em totalidade
plena e sincera
se não mais quer

.

porque me sorris
ainda

... prelúdio


... há dias assim