Wednesday, March 27, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

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ah
o limite
o lugar
surdo
e consumido
de nós
de aonde
a carne
exaurida
se ergue
pesada
em vertigem
e o pensar
é silêncio
claro
e inexpressivo
do osso-corpo
restante
.

Sunday, March 10, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

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porque tarda
sempre
esta mágoa
restante
esta solidão
que entra
de adentro
em nós
e se instala
comodamente
nos interstícios
do sentir
dolente
da manhã

porque
é sempre
noite
no verso
do visível
que somos
nós
sendo
e sorrindo
no cumprimento
laborioso
que inventámos
para distracção
da verdade
que teimamos
em recusar

porque
em nós
veio
o querer
e o desejo
maior
de ser
em desconformidade
com a insignificância
que somos
na unidade
frágil
e perecível
ante mundo
este
que nos
estranha
sem par

.

difícil
é entendermo-nos
nos limites
da vida
que se sabe
curta

estreitar
o horizonte
de matéria
que somos
nós
em vida
à certeza
inicial
de que 
tudo
passa
e esquece

saber
que os rios
correm sempre
e que as cores
das árvores
sem nome
são já 
restos
de memória
comoção
regenerada
de outro
olhar
de outrora

.

talvez
porque
sejamos
a invenção
de nós
nos limites
corpóreos
da nossa
imaginação

porque
o futuro
seja
o concretizar
possível
do desejo
em nós
à escala
do nosso
entendimento

.

mas
e as cores
e os ecos
e as torrentes
vaporosas
e os astros
todos
e o braço
que nos
abraça
forte
ao firmamento
nocturno

que força
que mágoa
tarda
no verso
invisível
da música
que a nós
chega
indistinta

de onde
e porquê
o imo de nós
que estremece
ao som cavo
do vento
batente
sobre 
o poente
das horas

.

de onde
este princípio
(in)findo
em nós

?

Monday, March 4, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

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começo
por fim
este meu
livro
de páginas
infinitas

de quereres
absurdos
e sem lugar
de lê-los
além
do adentro
das palavras
que te
não digo

letras
restantes
do rumor
das ondas
que aqui
não 
escuto

.

começo
ao ocaso
da noite
longilínea
sobre
as luzes
primeiras
da cidade
longe
do aonde
de onde 
me esqueces
e à insignificância
do meu nome
contrariante
desse sorriso
inventado
e doce
em que
não creio

.

dizer-te
que sinto
a devassidão
toda
do lugar
azul
que fui

o brilho
indistinto
da memória
quando soía
ser feliz

a impossibilidade
daqueloutro
olhar-te claro
e inquestionável

.

dizer-te
que não
existe
motivo
além do amar
sincero
que se não
permite
ao presente
porque
verdadeiro
e repetido
à exaustão
trémula
que sou
eu
e o meu
corpo
em vertigem

.

começo
e desvario
em trajecto
circular

a passo
célere
e sem rumo

.

caminho

.

caminho
sem fim
porque
não há
início
bastante
para o peso
que é
em mim
nem para
a dúvida
toda
que me pesa
em asfixia

.

começo
para terminar
o cansaço
inútil
de esperar-te

.

manhã
antemanhã
sem fim

(...)


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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

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como fazer
para sentir
o amor
aqui

.

porque
não sou
nem
pertenço
nunca
ao que
sinto

.

quando