Friday, April 26, 2013

~


retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

o refrão
é tão antigo
quanto o homem

.

o fazer obrigatório
a força premente
contra o que
não apetece
é esquiva
ao canto claro
da manhã
respirável

.

por isso
cantamos
em coro
aquilo que
o coração
não sente
desprezamos
ao acaso
os sonhos
que se não
cumprem
além 
pensamento
e calamos
sempre
a verdade
reprovável

.

porque a sós
nos negamos
neste mundo
habitado
pelo silêncio

.

é preciso
força
para sorrir
ainda
motivo
para correr
sem onde
além 
do amor
parental
que sendo
porque é
já antes
assim
permanece
e resiste
subjugado
ao erro
intempestivo
do outro-nós
revolto
em palavras
duras

.

soubéssemos
nós
assumir
esta verdade
superar o esforço
ininteligível
de partir
em conformidade
alheia
recusar oferendas
descrer
de promessas
falhas
abdicar em massa
e sem ressentimento
do fausto-bem
sentir a
angústia-irmã
da nossa
estender-lhe
a alma toda
conceder-lhe
o abraço
da solidão
partilhada
sermo-nos
sem reserva
no limite
da nossa
insignificância

.

viver 
cansa
e dói
sempre
em expectativa
quando a
construção
fictícia
do ser feliz
é impossibilidade
primeira

.

refrão-homem
da certeza
Inexistente

(…)

~


retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

sentir o frio
que aperta
mais
quando 
estamos
sós
cruzar
o caminho
que algures
no tempo
pareceu
verdade
e olhar
de frente
os motivos
que negamos
além
do aceitável
em nós
descobrir aí
a verdade
nula
que somos
os sonhos todos
desmontados
em peças
a nossa alma
empobrecida

.

a vida pesa 
tanto

.

feliz o pensar
que nos
vai levando
aonde
não podemos
chegar por nós
e à solidão
partilhada
e surda
que perfilhamos
em desrazão
contínua

.

mas
recorda-te
que não somos
pedra
e que
no vazio-limite
na exaustão 
do sentir
existirá o amor
primeiro
lugar claro
aonde a motivação
dispensa oferendas

.

faz frio aqui

.

por isso
espero-te
como sempre
no terminal
de partida
à hora incerta
do reencontro
de nós

.

procuro(-te)
nos rostos
que passam
o sorriso
por que
acredito
ser possível 
e válido 
viver
o abraço
são e forte
que me falha

.

assim passamos
pelo tempo

.

ponteio
irregular

.

em espera

Saturday, April 20, 2013

~


retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

não sei
de que era
outra
aonde sóis
e geadas
nos sorriam
ao poente
brando
da tade
e o silêncio
de oiro
era canto
cadente
sobre o trigo

,

recordo-me
de ti
estranha
à cidade
escorchante
aonde nasci
tarro vazio
sem onde
já sem mim

,

sinto-te
no afago
doce
das tuas
mãos
e ao embalo
quente
e terno
do meu choro
apaziguado

.

feliz
o reencontro
de nós
naquela
infância

Friday, April 19, 2013

~

~

foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

traz-me um abraço
um limite de vida
sem palavra
além do aqui

traz-me contigo
o calor-afago
de saber-te
verdade

ó noite

porque és
tão presente
calada

nem já o dia
te responde

... música para uma noite

Wednesday, April 17, 2013



monza

~

é preciso esquecer
para ser feliz

.

a vida
é o discurso
olvidado
de nós

o curso
esconso
torrencial
do sonho
amurado

bolinar-acaso
repetido
à exaustão
do tempo
que é sempre
pouco

da liberdade
que é rara
e inoportuna
quando se não
afirma
o inquestionável

.

ser feliz
é não ser