Saturday, June 29, 2013

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foto retirada de olhares (link do autor)


passo em branco
e fora de horas
pela sensação
estranha
de andar perdida
nos fundamentos
irrevogáveis
que aprendi

e nessa procura
nesse final
que tarda
com a manhã
clara e limpa
não encontro nada
além da brisa
quente
que se estende
sobre nós
imperturbável

que espaço
é este
que vazio
populoso
é este
aonde todos
se procuram
e não dão

lugar
do amor
ausente
da demanda
breve
do sonhar
interditado
pela objectividade
fria
dos homens
operantes
e fortes

lugar aonde
é preciso sempre
falar bem
saber estar
em forma
e conformidade
manter a aparência
mostrar o flanco
mais liso de nós
repelir do dorso
as tristezas
sorrir sem vontade

porque sentir
é ser fraco

é perder o barco
da glória inventada
correr riscos
absurdos
recusar o ofício
de viver para fora
estar só
e entender
a insignificância
que nos coube
à nascença
ir ao fundo
da nossa dor
e não encontrar
quem lhe responda

por isso
mentimos
sem pudor
para bem
da aptidão-
-sobrevivência
que nos ensinaram
para a vida

calamos
com promessas
doces
a sinceridade
a verdade
lucente
que é no olhar
ainda vivo 
de criança
a humilhação
de nós

(...)

Saturday, June 8, 2013

Friday, June 7, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)
 
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de que forma
um pouco mais de azul
à vida
um golpe de asa
que a nós portasse
a aragem fresca
da manhã
ou o fim do Tejo
ao sol-pôr
da tarde desejada
 
chove-me o peito
nesta casa de ninguém
aonde moram todas
as angústias
aonde habitam vivas
todas as solidões

pudesse eu ver o mar
flutuar leve
sobre as ondas
imiscuir-me nelas
despojar-me do peso
que carrego
 
é urgente
reinventar a felicidade
 
(...)
 

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)
 
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Controlar a angústia. Frenar os movimentos basculantes do sentir. Dizer não ao amor restante. Fazer de conta que é vida este querer amortalhado que a nós roubam indiferentes. E depois de tudo ser rotina, de tudo ser normal, adormecermos coalhados de exaustão.
Na realidade o que importa é o que sorrimos para fora, não o que esgrimimos contra o coração. Que lhes importa o inverno que é em nós se o sol e o mar continuam azuis. Que a eles mais interessa além do seu bem-estar singular. Da sensação libertadora de que o mundo lhes é exclusivo.
Pudesse eu recuperar o tempo que perdi. Retomar os minutos que não são já meus. Tivesse eu percebido tudo isto antes. Mas agora é tarde. Sou perdida no labirinto dos perdidos, disse-o antes. Sou já parte da tribo dos inofensivos.
Falta-me a força, o brilho de outros tempos. E no percorrer sem destino das horas que me custam, vou cada vez mais fundo no precipício aonde me lancei apaixonada.
Saudade. Que posso eu dizer dela se a não sinto como válida. Não se pode sentir saudade do que não existiu. Esta é a verdade. O vazio dos dias longe.