Friday, June 27, 2014

~

foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

como em ti
me reencontro
uma vez mais
além de outras
vezes mais
no silêncio
deste castelo
abandonado
em que foram
os meus sonhos
de hoje

porque 
só em ti
e por ti
alcanço
e sinto
o fôlego-mar
de todas
as aspirações
o limiar-limite
da luz clara
que é de ti
e em ti
a evidência
possível
e única
da verdade
que perdi
longe
no tempo
dos nomes
e das coisas

aqui só
neste lugar
silente
da terra
molhada e fria
que cresce
do restolho
florescente

daqui
desta noite
do verbo
novo
ávido
de pólen
e fragrâncias
estéreis

abraço-te
sem fim
no sem fim
deste amor
vazio
além 
de amar-te
ao esplendor
primaveril
da minha 
alma
renovada

porque da tua
força
insistente e dura
da mão
áspera-amiga
que me
estendeste
são o sentido
e o fim
últimos
do teu sorriso
escasso
a verdade atenta
do teu olhar
ausente
porque sente
o tumulto
que é cá dentro

e se é harpa
agora
o ruído
que escutava
sé é doce
e ávido
de vida
o canto
das aves
se é verde
o verde 
reluzente
da chuva
é porque
exististe
para mim
quando
era triste

se hoje
me assiste
o propósito
de existir
e o dar-me
é a razão
maior
de ser
e a música
de novo
o alento
que ficou
longe
foi por ti
que entendes
o silêncio
das coisas
que se não
escutam

pudesse
eu estar
sempre
contigo
presente
além do 
recordar-te
abraçar-te
com a força
que me ergue
cedo
para a vida
dizer-te
sem medo
o rumor-frémito
do húmus
fértil
aonde livre
me estendo
sob o céu

pudesse eu
sentir-te
estável
no silêncio
que me não
dizes
esboçar
em ti
um sorriso
no mural
dessa
indignação
sábia
retribuir-te
a resposta
que me deste
para a dúvida
partilhada

levar-te
um pouco
deste ar
fresco

saber-te
feliz

~

foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

assim regresso
ao silêncio primeiro
desta casa
de ninguém

,

vazio-princípio
do desejo instável
de estar só

,

porque nada
existe
no verbo
nem intenção
que seja
verdade

-

viver
é um gesto
frustrado

.

se me vem
um sorriso
é o da loucura

.

se um laivo
de brisa
me parece
azul
é porque
deitada
no asfalto
tépido
do sono
sonho

.

dormir
é a acção
fundamental
para ir morrendo
devagar

,

porque o tempo
não espera

.

senilidade

-

condição
única e possível
após o encanto
que passou