Saturday, June 25, 2016

~

desconheço-te
amor
quase toquei
no teu rosto
quase abracei
sorrindo
o teu partir
constante

fomos sempre
os dois
sozinhos

silêncios
partilhados

infinito

outro caminho

o meu presente
figurado
não foi além
de sonhar-te

ser-me
enquanto ser-te
foi silogismo
ingénuo e ilógico

desconheço-te
amor
no particípio
do tempo
que se esgota

existirás

terás existido
em mim?

~

não existe
acção
que eu possa
fazer
consequência
do propósito
que não tenho

inerte mas pesado
vai o meu corpo
pelo caminho
sem fim
do mar longe
que não vejo

é no teu rosto
perfumado
na tua aura
de bondade
misteriosa
e branca
que respiro
e resisto
ao cansaço
acirrante
do meu corpo

faz sempre
noite
aqui
aonde o sonho
embate
no silêncio
carregado
das nuvens
e o mistério
de ser
é certeza indiferente
e dura

porque além
de nós
não existe nada
que se saiba
nada que o coração
fasto de pulsar
sem onde
possa entender

rosto teu
sorriso teu
pródigo

pudesse eu ver-te
além do pensamento
beijar-te
sem denúncia
amar-te
sem porquê

mas nada
posso fazer
de momento
falha-me a força
esvai-se-me
a vontade
no propósito
inconsequente
de viver
atrás do pano

“Porque esta vida
É um teatro,
Vês?!”